Não sei por que tô tão feliz. Não há motivo algum pra ter tanta felicidade. Não sei o que que foi que eu fiz. Se eu fui perdendo o senso de realidade. Um sentimento indefinido foi me tomando ao cair da tarde. Infelizmente era felicidade. Claro que é muito gostoso, claro. Mas claro que eu não acredito. Felicidade assim sem mais nem menos é muito esquisito. Não sei por que to tão feliz. Preciso refletir um pouco e sair do barato. Não posso continuar assim feliz como se fosse um sentimento inato. Sem ter o menor motivo. Sem uma razão de fato. Ser feliz assim é meio chato. E as coisas nem vão muito bem. Eu perdi um dinheiro que eu tinha guardado. E pra completar depois disso, Eu fui despedido e to desempregado. Amor que sempre foi meu forte. Não tenho tido muita sorte. Estou sozinho e sem saída. Sem dinheiro e sem comida e feliz da vida. Não sei por que tô tão feliz. Vai ver que é pra esconder no fundo uma infelicidade. Pensei que fosse por aí. Fiz todas as terapias que tem na cidade. A conclusão veio depressa. E sem nenhuma novidade. O meu problema era felicidade. Não fiquei desesperado, não. Fui até bem razoável. Felicidade quando é no começo ainda é controlável. Não sei o que é que foi que eu fiz. Pra merecer estar radiante de felicidade. Mais fácil ver o que eu não fiz. Fiz muito pouca coisa aqui pra minha idade. Não me dediquei a nada. Tudo eu fiz pela metade. Por que então tanta felicidade? E dizem que eu só penso em mim. Que sou muito centrado, que sou egoísta. Tem gente que põe meus defeitos em ordem alfabética e faz uma lista. Por isso não se justifica tanto privilégio de felicidade. Independente dos deslizes, dentre todos os felizes sou o mais feliz. Não sei por que eu tô tão feliz. E já nem sei se é necessário ter um bom motivo. A busca por uma razão me deu dor de cabeça, acabou comigo. Enfim eu já tentei de tudo. Enfim eu quis ser conseqüente. Mas desisti vou ser feliz pra sempre. Peço a todos com licença. Vamos liberar o pedaço. Felicidade assim desse tamanho só com muito espaço. Peço a todos com licença. Vamos liberar o pedaço. Felicidade assim desse tamanho só com muito espaço.
Escrevo versos sem personalidade.
Aí então, apago.
A vicissitude tem sido marca da estradinha de terra
através da qual ouso caminhar.
Pedras que encontro no caminho,
tropeços, infindáveis violações.
Tão eficazes.
A chuva, cujas gotículas geladas escorrem em minha pele,
não me assusta, porquanto o cheiro de terra úmida se faz sensível.
É agradável sentir que sinto tudo isso.
Sinto como se nunca antes tivesse sentido.
Palpável alegria de ser só, envolta em tudo.
Natureza viva – Suzan dos Anjos
Procurando as palavras certas. Palavras que não deixem transparecer, mas que também não escondam.
Arquivos antigos no computador, diários nada diários.
Tudo aqui. Papel e lápis sobre a cabeceira.
Sob os cobertores o peso dos dias.
Frio e calor, tudo se mistura.
Flocos de poeira voam no ar. Luminária vermelha ilumina. Espetáculo que beira o surreal.
O disco está riscado, mas eu não me importo. Desliza, desliza, qualquer hora passa, deixa pra lá.
É somente… somente só. Só solidão. Que te completa e que sempre está.
“E ela deu de ombros” fingindo que estava tudo bem. Cinema mudo.
Por vezes confundo. Paladar, felicidade ou coisa que o valha?
Noite bonita.
Calmaria de sempre.
Levíssima sim.
Me permito certas reflexões.
Conclusão: Amanhã o sol brilhará forte. E eu? Eu direi bom dia.
Crise. Bloqueios criativos. Pressão baixa. Espírito vulgar. Irracionalidade. Fraqueza. Consumismo exacerbado. Preguiça de viver. Misture tudo isso com uma pitada de descontrole emocional e uma colher de sopa de insegurança. Acrescente cansaço físico e mental em pó. Adicione dúvidas a gosto e … e estará escrevendo uma receita patética que mostra claramente a sua INCAPACIDADE DE ESCREVER ALGO MELHOR. Hunnn. Que delícia!
Sabe. Escrever era tipo a última esperança pra mim.
ps.: fiz uma releitura autocrítica do blog, apaguei algumas coisas, embora ache isso demasiado desonesto comigo mesma.
“Quando eu vi
Que o largo dos aflitos
Não era bastante largo
Pra caber minha aflição,
Eu fui morar na estação da luz,
Porque estava tudo escuro
Dentro do meu coração.”
Por muito tempo achei que a ausência é falta.
E lastimava, ignorante, a falta.
Hoje não a lastimo.
Não há falta na ausência.
A ausência é um estar em mim.
E sinto-a, branca, tão pegada, aconchegada nos meus braços,
que rio e danço e invento exclamações alegres,
porque a ausência, essa ausência assimilada,
ninguém a rouba mais de mim.